terça-feira, 25 de junho de 2013



Mini curso de férias NAEPP
"O corpo, o gozo e os novos sintomas"
Segundo Maurício Tarrab, Psicanalista da Escuela de Orientación Lacaniana (EOL), Secretário do Conselho da Associação Mundial de Psicanálise, Fundador da TyA, Rede Internacional de Toxicomania e Alcoolismo do Campo Freudiano, o que hoje chamamos "novos sintomas" coloca em evidência os limites de nossa prática. O rechaço do Outro não foi recebido de bom grado pelos psicanalistas, mesmo que já viéssemos nos ocupando disso no Campo Freudiano há muito tempo, num trabalho de antecipação que já deu seus frutos. Os "novos sintomas" mostram os limites de nossa prática sob transferência porque são paradigmáticos desta época de rechaço do saber, de decadência das referências ligadas ao ideal, de vacilação dos semblantes na cultura.Nós devemos demonstrar a eficácia de nossa prática psicanalítica e lacaniana neste mundo asséptico, incrédulo a respeito da eficácia do saber que não seja derivado dos números e encarnado nas tecnologias. Devemos demonstrá-la neste mundo cada vez mais canalha, já que suas formas de domínio e seus tratamentos cruéis se aperfeiçoam implacavelmente; neste mundo cada vez mais cínico, que mostra com crueza que, no final das contas, só importa o gozo de cada um. Assim neste mini curso a proposta é de uma reflexão sobre a Psicanálise e a Contemporaneidade, tema que está incluído em todas as atividades do Naepp neste ano de 2013.
Data de 01 a 04 de julho de 2a a 5a feira.
Horário 19:00-21:00
Locas NAEPP-Núcleo de Atendimento, Estudo e Pesquisa em Psicanálise
Preço 150,00 (para alunos da UNIP 100,00). Incluso o material do curso.
Fale comigo !!

domingo, 23 de junho de 2013

Raimunda Duarte, um monstro !


Raimunda Duarte

O autor e teatrólogo piauiense Francisco Pereira da Silva (1930-85) ,talvez não pudesse imaginar sua obra no futuro sendo tão magistralmente esculpida pela atriz-monstro (explico-me depois) Regina Duarte, carinhosamente conhecida como ‘a namoradinha do Brasil’. Mas , se ele visse o que eu vi ontem no teatro ali da sexta fila do gargarejo, como vi, teria ,certamente,se enchido de orgulho até as tampas e aplaudido de pé.Ao comemorar  seus 50 invejáveis/brilhantes anos de carreira, La Duarte dá vida à história de Francisco.Mas dá vida mesmo, não simplesmente representa Raimunda.
Raimunda /Raimunda (assim mesmo, duas vezes) nos revela a MULHER em sua complexidade,a mulher do futuro (primeiro ato) e a mulher do passado (segundo ato),fundindo-se numa versão legítima do feminino que lança sempre as perguntas que o definem :o que quer  uma mulher ? O que é uma mulher ?
Em tom de farsa tragicômica (e não é essa a nossa trajetória ?) , Regina nos traz uma Raimunda fogosa, desejante, cheia de sonhos na cabeça e ardores no corpo.Lábios leporinos, voz fanha e uma vida de miséria marcam no corpo e na alma a falta . E o que ela faz com isso é o que vai nos levando pelas estradas em que caminhou, as boléias de caminhão em que se pendurou, a busca pela carreira de enfermeira, a luta para melhorar sua aparência,os casamentos, os abusos que sofreu , as danças que dançou, os excessos que cometeu, o desassossego que a acompanhou e que no final, a leva de volta pra casa, sozinha. Vivendo sua castração em todos os verbos e vestindo o misterioso véu do feminino.  Raimunda fala de nós pra nós. Tocou fundo no meu fundo.
Mas eu como artista, criança,mulher, sujeita , apaixonada que sou por Regina ('since' Malu Mulher,sim eu já tinha nascido), não molhei o rosto só por Raimunda ,Raimunda. Foi Regina (que significa Rainha, também no nome daquela que me gerou) quem me fez aplaudir de pé. Regina, essa menina,a filha do militar com a pianista, foi ela em sua melhor forma aos 66 degraus de vida. Ela, que não sai de cena (a não ser para trocas urgentes de figurino) dançou,pulou, rolou no chão, correu pra lá e pra cá representando presente,passado e futuro em quase duas horas de peça, visivelmente,sem se cansar.Preparada,dirigiu e encenou ,nitidamente dando o seu melhor para o público ,ali hipnotizado por ela.Me arrepiou, me inspirou , me encheu de esperanças , me fez pensar que a vida vale à pena, me fez gargalhar e chorar.Repeti, baixinho com ela ,a frase que repete ao palhaço tantas vezes : “Enxuga minhas lágrimas com seu lencinho de mil cores?".
Regina é mesmo dessas mulheres que não saem de cena. NUNCA SAIU.
Depois de ver no palco,nos últimos meses da minha estrada, Caetanos, Bethânias, Babys ,Fábios, e Regina, pensei ao final do segundo ato : QUE ORGULHO DESSA GENTE TÃO JOVEM, QUE ORGULHO, MEU DEUS !
E agora me explicando quanto a chamá-la de MONSTRO :é porque Monstro  é o nome dado genericamente a um ser fantástico ou criatura lendária, de aspecto e atos aterrorizantes. Ela é terrível mesmo, como toda mulher que se preze deve ser
.
Mirelle Araújo (artista e psicanalista)

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Vem aí, neste dia 15 de dezembro de 2011 mais uma edição(a terceira nesse formato) do nosso NATAL DOS ARTISTAS.Esse evento que conta cada dia com mais representantes da arte de Goiás começou com uma ideia minha de confratenizar com colegas queridos e talentosos que haviam dividido comigo o palco no ano de 2006, nas peças Pluft, O fantasminha e Uma vez por semana,ambas comandadas pela famosa Cia Carlos Moreira,por onde tem passado tantos grandes artistas desse estado. Fizemos , na época um amigo secreto entre os colegas de elenco e foi muito bom.Depois disso, navegando por outros mares,motivada por outro sucesso chamado E(cs)xtas(y)e, uma história de Romeu e Julieta, comandada pela batuta do inenarrável Wellington Dias (uma mistura de Jorge Fernando com Miguel Falabella goiano),onde encontrei uma turminha (da Mônica) que fez toda diferença em minha vida,fizemos o mesmo esquema de amigo secreto no Natal.No ano seguinte, ainda com essa trupe inseparável e alguns agregados (sempre artistas), tive a ideia de fazer um amigo secreto diferente, digno dos criativos participantes, em que ao invés de participarmos como pessoas, participaríamos como personagens, cada um com a sua identificação.Foi um sucesso ! Saimos até no jornal mais badalado da cidade.Nessa versão,em tempos de mundos virtuais, usei a ajuda de um site chamado amigosecreto.com ,que faz quase todo serviço por nós.Sorteia os amigos e mantem nossa identidade "secreta", em proteção.Bem, se é que se pode se esconder atrás de algum personagem ... Fazemos pela pura diversão, afinal, o ser humano é sempre tão bandeiroso em suas escolhas que no dia da revelação fazemos até um bolão ,presenteando em dinheiro o participante que acertar mais pessoas e seus personagens. É muito divertido.Eu nem preciso dizer que o meu personagem sempre é DES-COBERTO pela absoluta maioria,até porque uma boa histérica que se preza, usa no máximo um bom véu transparente pra se "ocultar", não é ? No ano passado , eu era nada mais, nada menos que Scarlet Ohara (de...E  O vento Levou). Esse ano, quem se arrisca a adivinhar ?? rsrsr Um brinde à FANTASIA !!!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

CAMBALHOTAS, O MUSICAL EXCELENTE

Mais uma das mil histórias de sucesso do GRUPO DANÇARTE.Desta vez , trabalhando em família, temos a grata presença de mais dois talentosos artistas compondo a cena, as músicas e o roteiro.É... parece que está no sangue.Modestamente... Com vocês : Hugo Vaz ,Yuri Vaz,Roger Faria na produção de vídeo, fotos e filmagem com sua CALANGOQUERI.E claro, essa que voz fala no papel de Carmesina.#vemgente

http://www.calangoqueri.com/blog/2011/12/01/cambalhotas-o-musical-excelente/

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O PALHAÇO de Selton Mello

Ahh... Como é bom falar de Selton Mello... (Ator e diretor do filme " O PALHAÇO" ,ao qual acabo de assistir)
Bem, primeiro que falar de arte é bobagem, né? Reduz o seu propósito.Arte é pra sentir e não pra falar.Mas o filme de Selton, me desconcerta,pois é do tamanho do seu talento e da sua delicadeza artística. Os pais no cinema (desavisados) que levaram suas crianças, certamente motivados pelo nome do filme, logo nos primeiros minutos entenderam o equívoco. E há que se saber: não é porque é alegoria, que é pra criança,assim como não é porque é desenho animado, que é infantil.E embora sejamos todos ' velhas crianças' o filme é adulto pra caramba.
Enfim, o filme de Selton trata do palhaço à procura de sua alma .O personagem descobre o que todo artista deve descobrir ; que sem alma ele não consegue fazer o outro rir;que pra vender sua graça, é preciso acreditar nela.De outra forma, o que explano é o meu vazio.E é justamente do furo que Selton vai falar.O palhaço vai falar da falta e do desejo.E como sabe fazer bem feito,redondinho. A gente ri e chora assistindo. Suspira e reflete. Respira e se identifica,porque somos nós o palhaço. Em busca de: coragem para sermos nós mesmos (tal como a menina da espada - a mulher mais corajosa do mundo), em busca de amor (que pode ser da Ana, da fulana ou da menina que sorri no caminhão), em busca de ar,de alívio (que pode ser o ventilador que ele alucina e idealiza),em busca da gente mesmo.O pai (feito pelo irretocável Paulo José), figura crucial e definitiva, lhe deu um lugar;um lugar no espelho.O lugar do palhaço filho , no circo do palhaço pai.E foi tão bonito quando num ato de amor, lhe liberou para se deslocar e se despregar da estória dele mesmo, para a qual (agora guiado pelo próprio desejo), ele retorna (como não poderia deixar de ser) regojizado de si,trazendo sua própria estória.(tão bem representado pelas cenas onde ele descobre que precisa fazer a sua carteira de IDENTIDADE para ser alguém reconhecido como alguém).
O filme fala tão bem da falta,e de questões outras tantas, que para mim, mera espectadora, não lhe falta nada. Lindo! Lindo! Lindo Selton ! Aplausos, por favor.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

No barco de FREUD E LACAN

Tenho andado por essas bandas... Quem vem ?
http://nelpgoias.blogspot.com/



domingo, 4 de abril de 2010

Happy Easter !

Não que eu confie nos verdadeiros motivos pelos quais "dizem" que exista a bendita PÁSCOA, nem em nome de nenhuma (bendita?) religião ,mas já aproveitando o encejo caroniado pelo meu inegável ranço católico ,filho legítimo da criação que recebi de mãe devota de nossa senhora (apesar do pai ateu ,não apologista),deixo aqui minha" mensagem de PÁSCOA " ,lembrando que poderia ser dita em qualquer época do ano :
A única coisa constante em nossas vidas é a mudança,isso é certo .Aprender é mudar,transformar. Cada vez que aprendemos alguma coisa, há uma mudança em nós.O que havemos de nos perguntar é : mas pra quê mudar ?? Eu ousaria responder : pra aprender .E o que é preciso aprender ? É preciso aprender TUDO, mas de nada servirá se não aprendermos a SER. O melhor dos aprendizados é aprender a SER FELIZ !

Na sua Páscoa de cada dia...
Ressucite o sorriso... Ressucite a alegria de viver...
Ressucite o amor...Ressucite suas amizades...
Ressucite os sonhos, as boas lembranças ,Ressucite a vontade de ser feliz.
Feliz Mudança!  Feliz Páscoa!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

DE- PRESSÃO


 O depressivo na contramão

[O tempo é o tecido de nossas vidas]

Em seu último livro, “O Tempo e o Cão – a atualidade das depressões” (Boitempo, 2009), a psicanalista Maria Rita Kehl nos provoca com uma hipótese sobre a qual vale a pena pensar: a depressão, que vem se tornando uma epidemia mundial desde os anos 70, pode ser a versão contemporânea do mal-estar na civilização. Ela teria algo a dizer sobre a forma como estamos vivendo e sobre os valores da nossa época. Para além da patologia, a depressão pode ser vista também como um sintoma social.
O que nossa época nos exige? Euforia, confiança, velocidade. Temos de ser pró-ativos. O que ela nos promete? Se soubermos traçar nossas metas e construir nossa estratégia, atingiremos o sucesso. Se produzirmos e consumirmos, alcançaremos a felicidade. Ser feliz deixou de ser uma possibilidade esporádica para se tornar uma obrigação permanente. Para nós, seres desta época, nada menos que o gozo pleno. Fora disso, só o fracasso. E o fracasso, este é sempre pessoal. Se não alcançamos o que nos prometeram no final do arco-íris é porque cometemos algum erro no caminho. E fracassar, como sabemos, passou a ser não um fato inerente à vida, mas uma vergonha.
O depressivo, neste contexto, é a voz dissonante. É o cara na contramão atrapalhando o tráfego, como na letra de Chico Buarque. Como diz Maria Rita, é aquele “que desafina o coro dos contentes”. Ela afirma, logo no início do livro: “Analisar as depressões como uma das expressões do sintoma social contemporâneo significa supor que os depressivos constituam, em seu silêncio e em seu recolhimento, um grupo tão ruidoso quanto foram as histéricas no século XIX. A depressão é a expressão do mal-estar que faz água e ameaça afundar a nau dos bem-adaptados ao século da velocidade, da euforia prêt-à-porter, da saúde, do exibicionismo e, como já se tornou chavão, do consumo desenfreado”.
Neste sentido, a mera existência do depressivo aponta, nas palavras da psicanalista, a má notícia que ninguém quer saber. Se basta ser pró-ativo, bem-sucedido e saudável, por que tantos e cada vez mais, como mostram as estatísticas, são classificados como depressivos?
“A depressão”, diz Maria Rita, “é sintoma social porque desfaz, lenta e silenciosamente, a teia de sentidos e de crenças que sustenta e ordena a vida social desta primeira década do século XXI. Por isso mesmo, os depressivos, além de se sentirem na contramão do seu tempo, vêem sua solidão agravar-se em função do desprestígio social da sua tristeza”.
Cada época cria seus proscritos. Na época da euforia e da velocidade, nada mais desafinado do que um depressivo. Se, em vez de hoje, o depressivo, então chamado de melancólico, vivesse no romantismo do final do século XVIII, “estaria tão adequado à cultura e aos valores de sua época quanto um perverso hospedado no castelo do marquês de Sade”. 
Hoje, porém, os depressivos parecem ser não só o portador de uma má notícia, mas de uma doença contagiosa. Quem quer ter por perto alguém que sofre em um mundo cuja existência só se justifica pelo sucesso e pela felicidade plena? Num mundo em que todos têm de estar “de bem com a vida” para merecer companhia?
O depressivo não apenas sofre, mas silencia num mundo em que as pessoas preenchem todos os espaços com sua voz. E não apenas silencia, mas em vez de preencher seu tempo com dezenas de tarefas, uma agenda cheia, se amontoa no sofá da sala e nada quer fazer. Não só é lento, como chega a ser imóvel. Sua mera existência nega todos os valores propagandeados dia após dia ao redor de nós – e também pelo nosso próprio discurso afirmativo e de autoconvencimento.
Ao existir, o depressivo faz uma resistência política passiva ao establishment. Obviamente, ele não é um ativista nem tem consciência disso e preferiria não sofrer tanto. O que Maria Rita nos propõe é enxergar a depressão para além dos aspectos clínicos. Enxergar também como sintoma da sociedade em que vivemos. Como a ótima psicanalista que é, o que ela nos propõe é ouvir. Neste caso, ouvir o que a depressão tem a nos dizer quando escutada como sintoma social, como expressão de um mal-estar no mundo.
Os medicamentos podem fazer enorme diferença nas depressões graves num primeiro momento, para arrancar da apatia e possibilitar uma elaboração dessa dor que permita lidar com a vida de uma forma menos paralisante. Inclusive para romper com o imobilismo e buscar uma escuta pela psicoterapia ou pela psicanálise. Os medicamentos antidepressivos têm sua hora, seu lugar e sua importância. Mas acreditar que a medicação resolve tudo é calar a dor de quem a vive. E, no âmbito social, é ignorar o que ela diz sobre o que há de torto em nosso mundo.
Afirmar que a indústria farmacêutica resolve tudo é silenciar o impossível de ser silenciado, como prova a escalada das estatísticas da depressão. Na esfera social, significa dizer que é uma ótima vida correr desde que acorda até a hora de dormir, sem ter um minuto sequer para elaborar o que de bom e de ruim viveu naquele dia. Sem tempo para viver a experiência. Ou, como diz Maria Rita, vivendo no tempo do Outro.
Acreditar que a epidemia mundial de depressão pode ser erradicada com pílulas é afirmar que no nosso mundo nada falta. E um pouco mais grave que isso: é acreditar não apenas que é possível atingir uma vida em que nada falte, como atingi-la é uma mera questão de adaptação, pró-atividade e saúde.
No âmbito do indivíduo, tratar a depressão apenas com medicamentos é tornar ilegítima a sua dor. É dizer ao depressivo que o que ele sente não merece ser ouvido porque é produto apenas de uma disfunção bioquímica. É reforçar a crença de que o depressivo não tem nada a dizer sequer sobre ele mesmo. É cristalizar o estigma. Sem contar que tentar calar os sintomas da depressão à custa de remédios leva ao embotamento da experiência, ao esvaziamento da subjetividade. O que se sente é silenciado – e não elaborado. E, ainda que alguém achasse que vale a pena se anestesiar da condição humana, o efeito do remédio, como bem sabemos, é temporário.
Para algumas pessoas, encontrar médicos que resolvem tudo apenas com pílulas vai ao encontro de suas próprias crenças – e de sua necessidade de proteção. É mais fácil acreditar ser vítimas de uma doença, uma disfunção que está fora deles, a pensar que é um pouco mais complexo e mais difícil de lidar do que isso. É mais fácil do que aceitar que ele, como sujeito psíquico, está implicado neste mal-estar. Eu tomo remédio e não preciso pensar que algo me incomoda. Eu engulo uma pílula e não preciso lidar com a inadequação que me faz sofrer.
É possível compreender que, para quem já está na contramão do mundo e é visto muitas vezes como um estorvo, ajuda não ter ainda mais essa “culpa”. Tranqüiliza pensar que aquela dor que está sempre ali foi causada por uma disfunção involuntária dos neurotransmissores. E que pode ser resolvida com um comprimido.
O problema é que a realidade mostra que não é tão simples assim. Quem já fez tratamento com antidepressivos sabe que “curar” uma depressão não é o mesmo que tratar de uma micose ou mesmo de uma pneumonia. Não basta tomar remédio: é preciso expressar a dor, é necessário elaborar o sofrimento e, em geral, mudar a vida ou a forma de olhar para a vida e para si mesmo.
Ao conversar com minha filha, também psicanalista, sobre esse tema, ela fez um comentário que cabe neste contexto. “É curioso como os filmes de ficção científica sempre usaram aquela imagem terrorífica de seres humanos levando uma injeção na nuca e se tornando embotados. Isso era assustador e nos assustava”, disse. “Agora, o que assustava passou a ser a vontade das pessoas. Elas querem tomar uma pílula, ou uma injeção na nuca, e ficar embotadas.”
Maria Rita sugere que vale a pena para todos – e não apenas para os depressivos – pensar o que a depressão está nos dizendo sobre nosso mundo. É isto ou continuar assistindo, impotentes, ao crescimento da epidemia, que atinge não apenas adultos, mas adolescentes e crianças, cada vez mais cedo. É preciso prestar atenção nesse mal-estar no mundo, escutá-lo, de verdade e com verdade, sem cair nos contos de fadas contemporâneos que transformam todos os monstros em déficits bioquímicos. Ao contrário de todas as profecias, a indústria farmacêutica não vai nos salvar de uma vida sem vida.
O livro de Maria Rita Kehl é complexo e vai muito além destas minhas primeiras interpretações. Uma das questões mais originais é a relação entre a depressão e o tempo. O depressivo seria também aquele que se recusa a se inserir no tempo do Outro. O nome do livro – O Tempo e o Cão – vem da experiência pessoal da psicanalista, ao atropelar um cachorro na estrada. Ela viu o cachorro, mas a velocidade em que estava a impedia de parar ou desviar completamente dele. Conseguiu apenas não matá-lo. Logo, o animal, cambaleando rumo ao acostamento, ficou para trás no espelho retrovisor.
É isso o que acontece com as nossas experiências na velocidade ditada pela nossa época. Diz Maria Rita: “Mal nos damos conta dela, a banal velocidade da vida, até que algum mau encontro venha revelar a sua face mortífera. Mortífera não apenas contra a vida do corpo, em casos extremos, mas também contra a delicadeza inegociável da vida psíquica. (…) Seu esquecimento (do cão) se somaria ao apagamento de milhares de outras percepções instantâneas às quais nos limitamos a reagir rapidamente para em seguida, com igual rapidez, esquecê-las. (…) Do mau encontro que poderia ter acabado com a vida daquele cão, resultou uma ligeira mancha escura no meu pára-choque. (…) O acidente da estrada me fez refletir a respeito da relação entre as depressões e a experiência do tempo, que na contemporaneidade praticamente se resume à experiência da velocidade”.
Por coincidência, estava zapeando na TV ontem à noite (domingo), quando encontrei a psicanalista no Café Filosófico da TV Cultura, um dos melhores programas da TV aberta. Lá, ela fez algumas considerações muito interessantes. Anotei duas delas para acrescentar a esta coluna. “Nos dizem que ‘tempo é dinheiro’. Ora, tempo não é dinheiro. Dizer que tempo é dinheiro é uma violência”, afirmou Maria Rita. “Tempo é o tecido de nossas vidas”. E um pouco mais adiante: “Em qualquer sociedade, o poder se instaura por alguma forma de controle do tempo”.
Quem quiser ler o livro de Maria Rita Kehl precisa saber que é um livro difícil. Não se lê fácil como uma daquelas obras de autoajuda. Exige tempo, parada, reflexão. Para quem é leigo, é preciso ler e reler alguns trechos, voltar. Talvez até pular algumas partes que, depois de ler e voltar e reler, ainda assim não alcançamos. Mas vale todo o esforço.
Aprendi algo sobre isso, na semana passada, ao ouvir Benjamin Moser, autor da recém-lançada (e excelente!) Clarice, (CosacNaify, 2009), uma biografia de Clarice Lispector. Ele contou que os livros que mais gosta da escritora são os mais difíceis, aqueles que teve de ler para escrever a biografia, e não os primeiros que leu e compreendeu de imediato. Então, disse algo mais ou menos assim: “Os escritores têm de nos alcançar, mas nós também temos de alcançar os escritores”.
Achei genial. E acho que é isso. Vale a pena essa busca para alcançar alguns escritores e suas vozes a princípio obscuras. Alcançar alguém é sempre uma experiência rica – e intransferível. O livro de Maria Rita Kehl, assim como os livros mais estranhos de Clarice Lispector, vale porque ao final deste esforço há uma voz original, dissonante de todas as mesmices que ouvimos – e eventualmente repetimos.
Para mim, que acordo todos os dias – e especialmente na segunda-feira – pensando em como não sentir mal-estar em um mundo tão brutal, que exige uma velocidade que me rouba a vida, fez todo o sentido. Só consigo viver por que a cada dia minha questão crucial não é me adaptar a um tempo que não é o meu. Mas encontrar formas de me recusar a viver segundo valores que para mim não fazem sentido. É esta busca – e esta insubordinação – que me mantém em pé, ainda que cambaleando, às vezes, como o cachorro atropelado por Maria Rita, e até caindo, de tempos em tempos.
Dias atrás, ao conversar com meu amigo Toco Lenzi, um homem que como poucos recusa os valores e a velocidade desta época, ele me contou uma história de sua última passagem pelo Saara, na Mauritânia, que cabe aqui. Toco atravessa o Saara a pé, da Mauritânia a Tunísia, em etapas e sem nenhuma pressa, com nenhum outro objetivo além de viver a experiência de atravessar o Saara a pé. Eu o acompanhei na primeira parte desta jornada para escrever um livro que ainda está no começo.
Toco conheceu um tuaregue que havia deixado o Saara e vivido – muito bem – na Europa. Apesar do que teria sido considerado um sucesso pela maioria de nós, ele resolveu voltar ao deserto e ao antigo modo de vida. Toco perguntou a razão. Ele respondeu: “Vocês têm relógio, nós temos tempo”.

(Texto de Eliane Brum)

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

CHOVE CHUVA QUE 2010 QUER CHEGAR


Eu gosto quando a chuva vem e lava tudo. Sempre me flagro comemorando-a, sempre.
Gosto do seu barulho, da sua algazarra,do seu molhado, do seu espetáculo.Embora os homens não a tenham entendido... E pra tantos nesse globo, a chuva seja sinônimo de infortúnio... É que o homem não entendeu que o que ela quer, é somente limpar tudo...
Limpar o ano que passou e durou até que não aguentássemos mais de cansaço,limpar os sonhos que não se realizaram e as estórias que não deram certo...
Limpar o carro, a rua,o quintal, as janelas, as teias, as valas, os incêndios do corpo e da alma.
A chuva, pra mim, vem sempre limpar.Não me incomodo que ela me estrague o penteado,atole o meu carro,crie barro... é que eu sou terra ,mas também sou água. É que o que há em mim também deságua em sonhos, desejos e lágrimas.é porque o final nunca me é FELIZ.Se fosse feliz, não era o fim.
Por isso , LAVE CHUVA, LAVE, LEVE O ANO QUE PASSOU e prepare o terreno que o NOVO quer chegar.


sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

O QUE SERÁ QUE SERÁ ? JÁ DIZIA CHICO...

MEU SABUGO DESAPARECIDO NÃO QUER APARECER PRA MIM... VOU LIGAR PRO LOBATO,QUEM SABE ELE ME DÁ UMA LUZ E ME DIZ O QUE FAZ UM SABUGO TÃO AMADO DESAPARECER ASSIM ???? Meus telefones continuam os mesmos, meu e-mail também. Assim como o meu coração de melão...

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

CONTO DE FADAS SÉC XXI

Conto de fadas para mulheres do séc. 21
Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa independente e cheia de auto-estima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã. Então, a rã pulou para o seu colo e disse: -Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Mas uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir um lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre... E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava: -Nem fo...den...do!
(Luís Fernando Veríssimo)
ADÓROOOO
Beijinhos de rã pra vcs !!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

sexta-feira, 17 de julho de 2009

O QUE VC ACHA ?

Estudo reforça tese de origem biológica do homossexualismo WASHINGTON, 8 maio (AFP) - Os cérebros dos homossexuais não reagem do mesmo modo que os dos heterossexuais aos hormônios sexuais masculinos e femininos, mas esta diferença é menos pronunciada nas lésbicas do que nos homens gays, de acordo com um estudo sueco divulgado nesta segunda-feira nos Estados Unidos. O estudo, que aparece na última edição on-line dos Anais da Academia Americana das Ciências (PNAS), reforça a tese de que a preferência sexual não é um comportamento adquirido, e sim que estaria ligada a uma origem biológica. A reação cerebral das lésbicas a um hormônio feminino se assemelha mais à dos homens heteros do que à das mulheres heteros, explicou Ivanka Savic, do Hospital Universitário Karolinka, em Estocolmo, e co-autora desta pesquisa. Ela acrescentou, porém, que a reação não é tão parecida como é a dos homossexuais homens em relação às mulheres heterossexuais, no que diz respeito a um hormônio masculino. Este mesmo grupo de pesquisadores descobriu, em trabalhos realizados há um ano, que o cérebro dos homens homossexuais tinha uma resposta similar à das mulheres heterossexuais a um hormônio sexual masculino. Em ambos os casos, os estudos ressaltam a origem biológica da homossexualidade. A última investigação também tende a indicar que as homossexualidades feminina e masculina são diferentes. Para realizar esse estudo, os cientistas fizeram com que 36 voluntários distribuídos em três grupos, entre os quais havia 12 lésbicas, sentissem substâncias químicas derivadas de hormônios sexuais masculinos e femininos considerados feromônios. Estes feromônios são moléculas que desencadeiam vários tipos de reações, como a defesa e a atração sexual em vários animais. Embora a existência de feromônios tenha sido demonstrada nos animais, continua sendo um debate nos humanos. A descoberta de um gene, em 2000, que parece estar diretamente ligado a um receptor de feromônios no nariz humano, reforçou esta possibilidade.

terça-feira, 14 de julho de 2009

"As convicções são inimigos da verdade bem mais perigosos que as mentiras. (Friedrich Nietzsche)"

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Oficina de Teatro
Maior site de teatro e estudos teatrais do Brasil

sábado, 4 de julho de 2009

AOS ROMEIROS DA AMIZADE

Segundo a definição,Romaria é uma peregrinação religiosa feita por um grupo de pessoas a uma igreja ou local considerado santo, seja para pagar promessas, agradecer ou pedir graças, ou simplesmente por devoção, podendo ser feita a pé ou em veículos.Nessa tarde de sexta -feira ,em 3 de julho de 2009, nosso grupo (Quel,Isa, Alê,Romeu,Bru,Jú,Crhis,Ervilha,Olívia,Bia e eu ) inventou um novo conceito de Romaria.Andamos por mais de seis horas juntos à caminho da Basílica de Trindade,uns movidos por uma promesa,outros por sua fé,outros sem nem saber porquê.Mas o que tornou a viagem ,muito longe de um sacrifício, um momento de glória e sorrisos foi o sentimento único de AMIZADE, COMPANHEIRISMO,RESPEITO,VONTADE DE ESTAR JUNTO... Penso que essa fé, que um ser humano pode ter no outro,independente de todas as nossas diferenças, essa FÉ, esse tipo de Fé, poderia sim mudar e melhorar o mundo.Ao colocar nossas fitinhas iguais no braço,nas quais estava escrito as palavras : PAI, ETERNO,DIVINO E TRINDADE, celávamos um momento de comunhão espontâneo e genuíno.Não por acreditarmos num Deus por quem se deve fazer sacrifícios, não por dívidas com um culto, ou pra nos livrarmos da culpa católica ,mas simplesmente porque ,sem saber e mesmo sem dizermos isso uns aos outros, já entendemos que DIVINO E ETERNO é isso : o estar juntos de coração aberto, boa vontade em caminhar com o outro,compreendê-lo,incentivá-lo,acompanhá-lo e protegê-lo .Se mais pessoas já tivessem entendido isso,não haveria tanta gente sofrendo nas escadarias de um mundo que só precisa disso que ontem, sem querer , fizemos : A ROMARIA DA AMIZADE. Obrigada, queridos.Muitas vezes, ter alguém caminhando ao nosso lado numa estrada qualquer da vida já é muito, mesmo que esse alguém esteja em silêncio.Espero que tenham entendido a importância disso. Estejam sempre presentes na estrada daqueles que vcs amam e ensinem ao mundo para quê ,realmente, pode servir uma ROMARIA. Bjos cheios de promessas , amém.

sábado, 20 de junho de 2009

E D A - Vc quer descobrir o que é ?

Então deixe aqui o seu "chute".O que acha que é ? Uma dica ? Tá bom : Dica 1- Girassol; Dica 2-Tive a grande idéia assistindo o maravilhoso filme "GAROTAS DO CALENDÁRIO". Se se interessou em participar,me envie um email.Vamos precisar de gente.GENTE DE VERDADE E DE VONTADE.Se vc não é um curioso, passe longe . mirelle@soencena.com Um beijo me liga

domingo, 3 de maio de 2009

Não é DICA , é um PEDIDO : ASSISTAM !!

"7, O MUSICAL"
Um conto de fadas moderno "O que levou a Rainha Má ao extremo de pedir o coração de Branca de Neve?" Amélia(Alessandra Maestrini) perdeu seu grande arnor, Herculano, que a trocou por outra, "mais bonita, mais pura, mais simples", Bianca. Deseperada, Amélia houve os conselhos da madrinha, Dona Rosa(Eliana Pittman): que vá procurar uma cartomante, DonaCarmem(Zézé Motta) que, dizem, sabe como ninguém das colsas do coração. Dona Carmem - mals que vidente - é bruxa. Promete trazer Herculano (Jarbas Homem de Melo) de volta. Sem erro, sem demora. Mas para alcançar seu objetivo, Amélia deve cumprir sete tarefas. As seis primeiras são simples, fáceis, rápidas. A sétima, a mais dificil: "traga um coração ainda moço, quente e feliz, arrancado pulsando do peito de um hovem". Amélia, em desespero, atira se nas ruas do Rio, entre prostitutas e figuras da noile. Disfarcada entre elas, consegue sua vítima. Mas a vidente, ao saber sua idade, não aceita a prenda: "pedi o coração de um jovem, ainda virgem. Um coração que nunca amou. Este não serve, já está estragado". Amélia quer desislir, mas o feitiço não pode ser mais interrompido ou uma maldição recairá sobre ela. Uma nova tentativa. Vai parar em um bordel, dirigido por Dona Odete.(Rogéria) Ali o jovem Alvaro (Pedro Sol) vem conhecer o amor. Sua primeira noite será com Amélia. Mas nas voltas da vida, caminhos se cruzam, as hisltórias se cornplicam, e nada sai exatamente do jeito que se quer. Enquanto isso, uma misteriosa velhinha, Senhora A., segue contando para sua enteada a história de Branca de Neve. Uma história que nunca chega ao fim..." --------------------------------------------( Wellington Dias, Ed, Soencena, Bolhas, GENTE !! Venham a SAMPA pra assistir isso, pelo amor... É DEMAIS...Peguem um ônibus aí, ou venham a pé, hospedem-se aqui,todo mundo amontoado,sei lá,mas pleaseeee, venham. Vcs não vão acreditar no que é essa peça.Terei o prazer de assistir de novo e de novo e de novo com vcs... ) SETE BEIJOS PRA TODO MUNDO Mira